Command Centers
Gestão Hospitalar: Otimizando os Command Centers e a Gestão Hospitalar com Métricas Abrangentes como o OEE/OSE
Por Noerci Battistella · · 4 min de leitura

A eficiência operacional dos hospitais é um desafio constante, mas eventos como o I Simpósio Internacional do Fluxo do Paciente e Comando Operacional mostram que estamos no caminho certo para enfrentar esse desafio.
Nos dias 2 e 4 de maio de 2024, participei do I Simpósio Internacional do Fluxo do Paciente e Comando Operacional em um grande hospital, onde encontrei colegas de mercado e assisti a cases sobre as iniciativas de Command Center em inúmeros hospitais. A discussão foi marcante, com painéis focados principalmente na taxa de ocupação, alocação de escalas e suas métricas derivadas. No entanto, não vi referências a conceitos clássicos em outros mercados como o OEE (Overall Equipment Effectiveness) nas conversas com a maioria dos meus colegas. Muito se discute sobre taxa de ocupação, controles de tempos e escala profissional, mas uma visão mais holística focada em disponibilidade, desempenho e produtividade ainda é um tabu.
A Perspectiva do OEE/OSE na Gestão Hospitalar
O Overall Equipment Effectiveness (OEE) é uma métrica crucial utilizada na manufatura para avaliar a eficiência e a produtividade dos equipamentos. Ela considera três fatores principais: disponibilidade, desempenho e qualidade. Disponibilidade refere-se ao tempo em que o equipamento está operacional em relação ao tempo programado para produção. Desempenho mede a velocidade operacional do equipamento em comparação à sua velocidade ideal. Qualidade avalia a proporção de produtos bons em relação ao total produzido. O OEE é calculado multiplicando esses três componentes, proporcionando uma visão holística da eficácia operacional (Output Industries | Busroot).




É óbvio aos profissionais de saúde que leem esse artigo que definições como Ciclo ideal (Desempenho) e Contagem de Boas Unidades (Qualidade) gerariam discussões entres as equipes sobre qual o padrão a ser seguido. Mas já existem inúmeros estudos sugerindo bons caminhos, e mesmo quando esses não existem as instituições podem muito bem definir internamente quais são seus ideais de desempenho e qualidade e ir reavaliando-os de tempos em tempos.
"Measure what matters." John Doerr
Embora amplamente adotado na indústria, esse tipo de indicador ainda não é um padrão na gestão hospitalar. Sua aplicação poderia oferecer insights valiosos para otimizar a utilização de recursos hospitalares, reduzir tempo de inatividade e melhorar a qualidade dos serviços prestados. A introdução de um OEE adaptado no ambiente hospitalar poderia transformar a gestão de equipamentos médicos e processos operacionais, promovendo uma melhoria contínua e uma maior eficiência (Output Industries | Busroot).
Indicadores Clássicos e Suas Limitações
No meu artigo "Indicadores Hospitalares de Qualidade e Desempenho: uma validação com especialistas por meio do método DELPHI adaptado", publicado na revista Research, Society and Development, convidei 60 gestores hospitalares para identificar os indicadores essenciais de desempenho. Ao final do trabalho encontramos 11 fundamentais:
- Tempo médio de permanência do paciente
- Índice de satisfação dos pacientes
- Taxa de ocupação
- Taxa de infecção hospitalar
- Taxa de mortalidade
- Receita bruta do hospital
- Taxa de readmissões
- Incidência de acidentes ou lesões por eventos adversos
- Razão entre receita total e custo total
- Taxa de giro de leito
- NPS
Esses indicadores, embora fundamentais, não capturam todas as nuances de eficiência e qualidade que um conceito como o OEE poderia oferecer na gestão hospitalar (Elite Learning).
Existe Solução Definitiva?
A adoção de Command Centers operacionais tem mostrado resultados positivos em termos de fluxo de pacientes e eficiência. No entanto, para alcançar uma gestão hospitalar verdadeiramente eficiente, é crucial entender e aplicar conceitos mais completos. Na área da saúde o conceito de OEE pode ser expandido/adaptado para o Overall Service Efficiency (OSE). Isso permitiria uma análise mais detalhada e uma gestão mais eficaz dos recursos hospitalares.




Nessa ótica a ocupação não é mais o único ou principal objetivo, ter altas taxas de ocupação (desempenho) é tão importante quanto a Disponibilidade (efetividade e desempenho das atividades de Higiene, Manutenção, Transporte, etc) e a Qualidade dos serviços prestados (cliente mal atendido não volta).
"We’ve essentially opened 16 beds on a daily basis without building a new wing or adding new staff" (Johns Hopkins Medicine)
(Johns Hopkins Capacity Command Center)
Exemplo de Cálculo do OSE
Suponha que em um hospital temos os seguintes dados:
- Tempo de Serviço Planejado: 480 minutos (8 horas)
- Tempo de Serviço Disponível: 450 minutos (7.5 horas)
- Capacidade Máxima de Serviços: 100 atendimentos
- Número de Serviços Prestados: 90 atendimentos
- Serviços Bem-Sucedidos: 85 atendimentos
Calcule a Disponibilidade, Desempenho e Qualidade:
Disponibilidade:

Desempenho:

Qualidade:

Finalmente, o OSE:

Essa métrica indica que 79.4% do tempo planejado de serviço é efetivamente produtivo e de qualidade.
Referenciando os insights do simpósio e o artigo que publiquei, é evidente que uma abordagem híbrida, que adicione aos Command Centers indicadores orientados a OSE, poderia trazer uma revolução na gestão hospitalar, proporcionando melhorias significativas tanto na eficiência operacional quanto na qualidade do atendimento ao paciente. Onde toda a tomada de decisão seria de fato baseada em dados e análises e menos em impressões e sensações. (MDPI) (MDPI).
Convido todos os leitores a refletirem sobre a implementação de novos indicadores na gestão hospitalar. Comentem abaixo suas opiniões e experiências! Vamos continuar essa discussão importante.


