Método

A Jornada do Método NOERCI com ChatGPT 4.0: Da Educação à Inovação Contínua em Saúde

Por Noerci Battistella · · 10 min de leitura

Equipe multiprofissional em volta de uma mesa de trabalho, com um quadro de post-its ao fundo que diz Método NOERCI

Na interseção da educação e da inovação em saúde, enfrentei o desafio de orientar alunos em abraçar um modelo mental focado na resolução de problemas que poderia ser utilizado em seus respectivos Projetos Aplicativos. A partir da minha formação educacional e trajetória profissional, estruturei o Método NOERCI - um acrônimo que carrega meu nome com um pouco de ajuda do ChatGPT 4.0 mas que no fundo reflete uma abordagem sistêmica dividida em três fases críticas: Diagnóstico, Experimentação e Adoção. Estas fases compõem um ciclo virtuoso de inovação contínua, desenhado para transformar teoria e dados em ação efetiva.

A Genesis do NOERCI: Educando para Inovar na Saúde

O Método NOERCI emergiu da necessidade de equipar alunos de pós-graduação na área da saúde com uma abordagem educacional que transcende a teoria, enfocando na aplicação prática de melhoria contínua e inovação baseada em dados. Enraizado em práticas de como Lean, Agile, DMAIC, Six Sigma, e Design Thinking, o NOERCI foi meticulosamente concebido para preencher lacunas existentes entre estes métodos, formando um compêndio que não só busca a melhoria, mas também a inovação contínua, fornecendo uma espinha dorsal robusta para análise e ação efetiva.

Na metodologia, as equipes têm uma estrutura sólida para identificar problemas, analisar dados, experimentar soluções, refinar processos, consolidar e adotar as melhores práticas. Incentivando a aprendizagem contínua, a adaptação rápida e a busca pela excelência. O objetivo final é internalizar as melhorias e inovações alcançadas, tornando-as parte integrante da cultura organizacional. Por meio de um processo iterativo e orientado por dados.

Como funciona na prática: Etapas e Ferramentas

O método é organizado para que cada uma das três grandes fases críticas possua duas etapas bem delineadas:

  • Diagnóstico dividido em Necessidade e Observação;
  • Experimentação dividido em Experimentação e Refinamento;
  • Adoção dividido em Consolidação e Internalização;

Assim cada etapa possui um objetivo, perguntas chave que devem ser respondidas e ferramentas recomendadas que podem auxiliar na resposta das perguntas.

Diagrama em seta com as três fases do Método NOERCI: Diagnóstico, Experimentação e Adoção

Passo 1 - Necessidade

Necessidade, tem como objetivo compreender a situação atual e identificar as lacunas e oportunidades de melhoria.

Podemos focar nessa etapa em responder as perguntas-chave:

  • Qual é a necessidade ou problema que precisamos resolver?
  • Existem dados que justifiquem?
  • Dado é confiável?
  • Qual é o indicador que mede a efetividade da solução?

Para responder essas perguntas podemos recorrer a algumas Ferramentas:

  • Análise de dados: Utilização de dados quantitativos e qualitativos para identificar padrões, tendências e lacunas no desempenho atual do processo ou produto.
  • Pesquisa de mercado: Realização de pesquisas de mercado para compreender as demandas, expectativas e necessidades dos clientes e stakeholders.
  • Entrevistas e questionários: Coleta de informações por meio de entrevistas com funcionários, clientes e outros envolvidos no processo, bem como a aplicação de questionários para coletar feedback e opiniões.
  • Análise SWOT: Identificação das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relacionadas ao processo ou produto em questão.
  • Benchmarking: Comparação com as práticas e desempenho de outras organizações ou referências do mercado para identificar oportunidades de melhoria.
  • Análise de valor: Avaliação do valor agregado pelo processo ou produto e identificação de oportunidades de melhorias para aumentar o valor percebido pelos clientes.
  • Canvas de Negócios: ferramenta visual que ajuda a descrever, analisar e planejar um modelo de negócios de forma concisa e estruturada.

E quais os resultados esperados nessa etapa?

Visão mais clara do problema, necessidades identificadas e uma base sólida para a próxima etapa do processo.

"Sem dados você é apenas mais uma pessoa com uma opinião" W. Edwards Deming

Passo 2 - Observação

Observação, tem como objetivo coletar dados e informações detalhadas sobre o processo ou produto em análise. É o momento de obter uma compreensão profunda da situação atual, identificar problemas e oportunidades de melhoria. Coletar informações detalhadas sobre o processo ou produto em análise. Compreender as etapas, fluxo e interações do processo. Identificar problemas, gargalos e oportunidades de melhoria. Embasar as próximas etapas de análise e tomada de decisão.

Podemos focar nessa etapa em responder as perguntas-chave:

  • Quais métodos e ferramentas podemos usar para coletar dados relevantes?
  • Qual é o Fluxograma ou Value Stream Mapping desse processo?
  • Existem Gargalos e/ou Desperdícios?
  • Qual é a Proposta de Valor nesse processo?
  • Quem são os clientes e usuários?
  • Qual a é a VOC (Voz do Cliente) e VOB (Voz do Negócio)?

Os passos de Necessidade de Observação são etapas dependentes que se retroalimentam, pois a Necessidade vai focar nos dados existentes e a Observação permite a imersão e a escuta ativa das vozes dos clientes, processos e negócios. Quando ambas são concluídas saímos da fase crítica de Diagnostico.

Quadro colorido das seis etapas do método (Necessidade, Observação, Experimentação, Refinamento, Consolidação e Internalização), com as perguntas-chave de cada uma

Para responder as perguntas do passo de Observação podemos recorrer a algumas Ferramentas:

  • Mapeamento do processo: Utilize diagramas de fluxo, como o fluxograma, para visualizar as etapas e o fluxo do processo.
  • Análise de dados: Utilize técnicas de análise quantitativa e qualitativa para explorar as informações coletadas.
  • Observação direta: Observe o processo em ação para entender como ele é executado na prática.
  • Entrevistas e questionários: Realize entrevistas estruturadas ou semiestruturadas e aplique questionários para obter insights dos envolvidos.
  • Análise de causa e efeito: Utilize ferramentas como o diagrama de Ishikawa para identificar as possíveis causas dos problemas observados.
  • Observação de melhores práticas: Pesquise e analise referências e práticas recomendadas na área em questão.
  • Canvas de Proposta de Valor: uma ferramenta que ajuda a descrever e analisar a proposta de valor de um produto ou serviço. Ele permite identificar os benefícios oferecidos aos clientes, as necessidades que são atendidas e os diferenciais competitivos.

Essas ferramentas e atividades são úteis para coletar informações e obter uma visão aprofundada do processo ou produto em análise. Elas ajudam a identificar problemas, gargalos e oportunidades de melhoria, fornecendo uma base sólida para as etapas seguintes

Passo 3 - Experimentação

Experimentação, tem como objetivo elucidar hipóteses baseadas nas Necessidades e Observações, identificar o cenário de atuação, testar e validar soluções identificando o impacto das intervenções e melhorias propostas. Obtendo dados e evidências concretas para embasar as decisões e aprender com os resultados.

Perguntas-chave que podem auxiliar a transpor esse passo são:

  • Quais hipóteses queremos testar?
  • Qual é o cenário?
  • Como vamos projetar os experimentos para validar as hipóteses?
  • Quais metodologias utilizar?
  • Quais métricas serão utilizadas para avaliar os resultados?

Importante que antes de começar a definir o que testar, entender o nível de complexidade do cenário para pode escolher as ferramentas e metodologias mais adequadas ao cenário.

Modelos de complexidade de Stacey, Zimmerman e Snowden

Matrizes de complexidade como Stacy ou Cynefin podem auxiliar a definir o cenário de atuação.

"Não existe metodologia bala de prata ou panaceia. Na organização da miscelânea encontramos as respostas" Noerci Batistela Junior

Uma vez entendido o cenário é possível escolher o metodo mais adequado a solução do problema.

Matriz Cynefin com os domínios Complexo, Complicado, Caótico e Simples, em torno da Desordem

Em Experimentar a quantidade de ferramentas é enorme e depense muito do entendimento de cenário, utilize sempre um framework de avaliação de complexidade da escolher da forma mais assertiva metodologias que permitem atingir os resultados esperados.

Matriz Cynefin com metodologias sugeridas para cada domínio

Passo 4 - Refinamento

No passo de refinamento temos alguns objetivos:

  • Otimização das soluções: Buscar aprimorar as soluções desenvolvidas na etapa de Experimentação, tornando-as mais eficientes e eficazes.
  • Eliminação de falhas: Identificar e corrigir eventuais falhas ou deficiências nas soluções, visando aperfeiçoar sua qualidade e desempenho.
  • Melhoria do processo ou produto: Realizar ajustes e modificações para melhorar o desempenho do processo ou produto em questão, garantindo sua efetividade e adequação às necessidades e expectativas.
  • Análise crítica dos resultados: Avaliar de forma criteriosa os resultados obtidos durante a etapa de Experimentação, comparando-os com as metas e expectativas estabelecidas, e identificar oportunidades de aprimoramento.
  • Coleta de feedbacks: Obter feedbacks e insights relevantes por meio da interação com usuários, clientes, equipe de projeto ou outras partes interessadas, utilizando essas informações para direcionar as ações de refinamento.
  • Tomada de decisões embasadas: Basear as decisões de refinamento em dados, informações e evidências concretas, utilizando abordagens analíticas e metodologias apropriadas.
  • Consolidação das melhorias: Garantir que as melhorias identificadas durante a etapa de Experimentação sejam efetivamente implementadas e incorporadas às soluções finais.
  • Aprendizado contínuo: Promover um ambiente de aprendizado contínuo, onde os resultados, feedbacks e lições aprendidas sejam aproveitados para aprimorar o processo de melhoria e inovação.
  • Alinhamento aos objetivos do projeto: Verificar se as soluções refinadas estão alinhadas aos objetivos do projeto, levando em consideração as restrições, requisitos e expectativas estabelecidas.

Como tantos objetivos é importante responder a algumas perguntas-chave:

  • Qual foi o investimento de recursos e tempo?
  • O que aprendemos com os experimentos?
  • Quais melhorias foram identificadas com base nos resultados?
  • Quais ajustes devemos fazer para otimizar o processo?

Assim como Necessidade e Observação são ligados e dependentes os passos de Experimentação e Refinamento andam juntos. São passos que se retroalimentam, podemos experimentar uma solução, refiná-la e propor novos experimentos como o aprendizado obtido.

Quadro das seis etapas do método com setas de retroalimentação entre Necessidade e Observação, e entre Experimentação e Refinamento

Quando concluímos a Experimentação e o Refinamento, concluímos a fase crítica de Experimentação.

Diagrama das três fases do método, com a descrição de cada uma

Os passos seguintes são relacionados a fase crítica de Adoção das soluções.

Passo 5 - Consolidar

Em Consolidar nosso objetivo é consolidar as melhorias identificadas e validadas durante a fase de Refinamento. Garantir a estabilidade e sustentabilidade das mudanças realizadas. E realizar a documentação e compartilhamento das lições aprendidas.

Podemos entender que o objetivo foi alcançado se pudermos responder as perguntas-chave:

  • Qual foi o resultado alcançado?
  • Qual é o processo ou tecnologia a ser padronizado?
  • Qual indicador será monitorado?
  • Como podemos documentar e compartilhar as lições aprendidas?

Na Consolidação algumas ferramentas podem auxiliar na resposta das perguntas-chave, tais como:

  • Matriz de Priorização: Uma matriz (Esforço x Impacto, WSJF, GUT) direcionando quais as soluções validadas devem ser escaladas primeiro.
  • Estudo de Viabilidade: Estudo de viabilidade financeiras das soluções.
  • Plano de ação: Um plano detalhado (5W2H) que descreve as ações necessárias para garantir a sustentabilidade das melhorias implementadas.
  • Documentação de processos: Registrar os novos processos e procedimentos para orientar as equipes envolvidas e permitir a replicação das melhorias em outras áreas.
  • Compartilhamento de lições aprendidas: Identificar e documentar as lições aprendidas ao longo do processo de melhoria, para que possam ser compartilhadas com outras equipes e utilizadas como referência para futuros projetos.

Passo 6 - Internalizar

Em nosso último passo nosso objetivo são assegurar que as melhorias implementadas sejam incorporadas de forma consistente ao processo. Garantir que os novos processos sejam seguidos e mantidos pelos envolvidos. Promover a cultura da melhoria contínua e inovação na organização. E estabelecer mecanismos de monitoramento e controle para sustentar as melhorias ao longo do tempo.

Existe muito esforço nas duas primeiras fases críticas para Diagnosticar e Experimentar, somente através de uma Adoção (Consolidar e Internalizar) organizada e adequada a inovação contínua é obtida, em uma mistura contínua de melhoria contínua, inovação incremental, radical e disruptiva.

Quais perguntas-chave podemos responder para garantir que estamos atingindo nossos objetivo?

  • Como será realizado o treinamento e educação continuada?
  • Quais ações devemos tomar para internalizar as melhorias?
  • Como podemos garantir que as mudanças sejam adotadas de forma sustentável?
  • Quais recursos e treinamentos são necessários para apoiar a internalização?

E para garantirmos que nossos objetivos estão sendo atingidos e as perguntas-chave respondidas podemos utilizar algumas ferramentas:

  • CEP - Estabelecimento de indicadores de desempenho e metas para monitorar a eficácia das melhorias.
  • Treinamentos e capacitações para as equipes envolvidas, visando reforçar os novos processos e promover o engajamento.
  • Comunicação efetiva, envolvendo todos os colaboradores e transmitindo a importância das mudanças implementadas.
  • Estabelecimento de revisões periódicas para avaliar o progresso das melhorias e identificar oportunidades de ajustes e refinamentos.

O Método NOERCI representa uma confluência de práticas de gestão comprovadas e inovação orientada por dados, oferecendo uma abordagem robusta para a melhoria contínua. Espero que este artigo inspire e forneça insights valiosos para aqueles que buscam excelência em suas organizações.

Como aprendi com o meu amigo Alberto Pezeiro, metodologias e frameworks são como trilhas e não trilhos, meu objetivo nunca foi construir a última metodologia perfeita e definitiva de inovação contínua, mas sim um modelo mental, metodologicamente organizado para suportar a inovação contínua.

Eu o convido a explorar como o Método NOERCI pode ser aplicado em seus próprios desafios e projetos. Que aspectos do método você acha mais promissores ou desafiadores? Compartilhe suas experiências, pensamentos e perguntas nos comentários abaixo. Vamos aprender e crescer juntos nesta jornada de inovação contínua.

"Metodologias são trilhas e não trilhos" Alberto Pezeiro

Agradeço sinceramente pela sua leitura e interesse. Seu envolvimento e feedback são cruciais para o desenvolvimento contínuo de práticas inovadoras como o NOERCI.

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